Mário Freire
Doutorando em Ciências da Informação
Mestre em Educação e Desenvolvimento Humano
Psicoterapeuta e Psicodramatista Didata Supervisor
Consultor em Desenvolvimento Gerencial e Organizacional
Diretor da Pegasus Desenvolvimento e Consultoria Ltda.
“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros…”
Vinícius de Moraes
A metodologia sociopsicodramática tem como foco central possibilitar o encontro do ser humano consigo mesmo, com o outro e com o mundo.
A proposta de Jacob Levy Moreno (1889–1974) — médico, psicólogo, filósofo, poeta e dramaturgo, criador do Psicodrama e pioneiro no estudo da terapia de grupo — nos convida a assumir, junto com outros, o papel de autores das nossas próprias vidas. Assim, tornamo-nos cocriadores, em parceria com o Criador, de um universo em contínua evolução.
O Psicodrama — do grego psyche (alma, espírito, inspiração) e drama (ação, realização) — é um processo de intervenção que, por meio da ação, possibilita a concretização de sonhos, ideais e propósitos, além da superação de traumas, bloqueios e limitações.
Por meio da dramatização espontânea dos diversos papéis e de suas interações, o Psicodrama promove experiências de transformação. Ele cria alternativas para a assimilação de conceitos, a revisão de posturas e a ressignificação de histórias vividas, além de favorecer a projeção de comportamentos desejados e o enfrentamento produtivo dos entraves evolutivos — seja no contexto pessoal, profissional, educacional ou social.
A proposta pedagógica do Psicodrama insere os sujeitos do processo educacional — alunos, professores, escola, família, governo e sociedade — em uma rede interativa de ensino-aprendizagem, na qual todos participam ativamente. Esse movimento favorece aprendizagens significativas, conectadas à vida real, e amplia a capacidade de transformar a realidade a partir do potencial de cada indivíduo e de suas conexões com o coletivo e com o ambiente em que está inserido.
Nas organizações, a medição sociométrica promove as interligações necessárias à formação de equipes capazes de gerar processos produtivos que conduzem a resultados sustentáveis. A dinâmica dos papéis entre líder e liderado possibilita a criação de um ambiente espontâneo, favorável à superação de obstáculos e à otimização do sucesso, evitando a acomodação que compromete a sobrevivência e a evolução organizacional.
Ao mapear, acompanhar e estimular a criação de novos cenários, o Psicodrama prepara os integrantes das redes de poder para adotarem ações proativas diante do inesperado.
No campo terapêutico, o Psicodrama permite, por meio da vivência experimental e espontânea de papéis e circunstâncias, trazer para o aqui e agora aquilo que precisa ser superado, desbloqueado, potencializado ou recriado — tanto para indivíduos quanto para grupos.
Assim, seguir em frente não é exatamente uma escolha, pois já escolhemos existir. O que precisa ser nosso foco, a cada instante, é como estamos, para onde vamos e o que deixaremos. Esse processo acontece por meio dos encontros que precisamos buscar, promover, insistir e aproveitar.
O Psicodrama nos convoca a sonhar mais. E, nessa recriação contínua, a encontrar o prazer de “viver espontaneamente bem” todas as situações e momentos — com os que estão próximos, com os que influenciam e são influenciados à média e longa distância e até mesmo com aqueles que acreditamos não nos afetar, mas que, ainda assim, fazem parte da mesma rede de relações.
O encontro psicodramático é um exercício de vida espontânea. Moreno nos provoca, por meio de seu poema Divisa (publicado em Viena, em 1914), a uma profunda conexão télica com o universo através do encontro com o outro — sem o qual, sequer existiríamos.
“… Um encontro de dois:
Olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto,
arrancar-te-ei os olhos
e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos
para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos
e tu ver-me-ás com os meus…”
J. L. Moreno


